
Recentemente fui solicitado para participar de uma correção de provas (conhecimento geral).
Senti borboletas no estômago quando comecei a corrigir as provas, embora sejam perguntas onde havia um gabarito para corrigí-las, me senti esquisito e pensava em cada questão que eu anotava 0,2, 0,1. E se eu errasse na correção? Se eu desconsiderasse algum ponto importante? E se eu simplesmente errasse na soma? Eu estaria estragando a vida daquela pessoa X, talvez essa pessoa naquele momento estava em casa, olhando o site constantemente, mesmo, ainda, não sendo a hora que o resultado estaria disponível (eu já fiz isso). Quando finalmente o resultado saísse, ele descobriria que reprovou por um décimo, o décimo que eu por bobeira anotei errado ou desconsiderei erroneamente. Eu teria estragado a vida dessa pessoa. Agora penso nos meus mestres, será que eles pensam assim como eu em cada nota esferografada na prova? Eu acho que não, aparentemente virou mecânico esse ritual de correção, percebi isso nos outros professores que faziam a mesma correção. Cada risco, cada arredondamento de nota para baixo, cada pressuposição do corretor, pode mudar a vida de uma pessoa para sempre, posso estar exagerando, mas penso agora sobre o poder da caneta. O poder de mudar destinos.
